segunda-feira, 21 agosto 2017

Natália Mastrela: personalidade, talento e ilustração

A ilustração sempre esteve presente na vida de Natália Mastrela, a designer e ilustradora goiana atualmente está no mercado como freelancer. Seu início no mundo das artes teve com sua graduação em Artes Visuais e em seguida sua trajetória também passou por um curso de Design Gráfico.

Conforme ela define o seu trabalho, ele possui diversos tipos de técnicas que a ajudam a transitar em vários estilos diferentes. Apesar de gostar bastante de ilustrações feitas à mão, ela também se aventura no mundo digital e às vezes até mescla um pouco das duas em seus trabalhos.

A descoberta de ser ilustradora se deu ainda criança, quando via que suas brincadeiras prediletas sempre estavam ligadas ao desenho e artesanato – “eu adorava desenhar no papel, no quadro de giz e principalmente brincar com massinha de modelar.” – E foi da brincadeira de criança até entrar na faculdade de design que Natália descobriu que ser ilustradora seria a sua profissão. – “Foi na faculdade de design que vislumbrei pela primeira vez a profissão ilustradora, então a partir daí comecei a me direcionar para essa área, através de pesquisas sobre o assunto, participação em cursos e principalmente praticando bastante.”

Natália teve a oportunidade de desenvolver projetos como ilustração de livros, cartilhas e peças teatrais direcionadas ao público infantil o que ocasionou em transformar personagens e histórias em algo visual, ela nos revelou que isso foi acontecendo naturalmente pois transitava bastante no meio artístico e consequentemente foram surgindo oportunidades de criar materiais com suas ilustrações que foram parar em artazes, folderes, flyers, cartões de visitas, entre outras peças.

Ela explica como funciona o seu processo criativo desde o esboço a composição final e como trabalha com as misturas de técnicas de ilustração.

“Eu tenho no meu computador uma pasta chamada imagens, que é onde eu salvo tudo que me inspira, não só ilustrações, mas DIY’s, coisas de decoração, fotografias, projetos de design, produtos, embalagens, etc. Assim que o cliente responde o briefing e eu consigo captar o que ele realmente precisa, eu faço uma busca tanto na pasta de imagens quanto na internet, às vezes eu passo mais de um dia só pesquisando referências em sites como o Pinterest e behance. Feito isso, eu começo a esboçar os desenhos, 90% das vezes eu começo no papel, faço e refaço esboços procurando o melhor traço ou personagem, se for o caso. Os 10% que restaram ficam por conta de projetos ou muito simples ou que estão com o tempo estourado e eu tenho que começar direto no computador. Depois da etapa de esboço, eu posso ou continuar e finalizar o trabalho no papel ou scanear e terminar no computador, geralmente eu uso photoshop (para trabalhos em imagem) ou illustrator (para projetos que precisam estar em formato de vetor). Ah e às vezes acontece de não surgir muitas ideias e eu me sentir sem criatividade, nessas horas eu dou uma pausa no trabalho e vou fazer outras coisas ou mexer em outros projetos. Isso me ajuda a “aliviar a mente”.

Normalmente os ilustradores possuem preocupações quando estão criando e uma das características que Natália considera que para uma boa ilustração é necessário cautela no momento de misturar as cores e a compreensão do estilo da ilustração – “Pra mim parece que cada projeto tem que ter uma paleta específica pra conversar com o público que vai ver/consumir aquilo. E também sempre busco entender o estilo e o lugar que aquela ilustração irá parar pra não cometer gafes do tipo, fazer algo de mal gosto de vai ofender alguém ou ser mal interpretado.”

As referências de Natália são variadas, como ela mesmo define – “Eu sou de fases, estou sempre vendo outros trabalhos e me inspirando não só em ilustradores, mas em artistas em geral.” – e são as mais variadas, das gerações passadas ela cita Basquiat e Miró, os artistas brasileiros da sua lista são Stephan Doitschinoff, Zé Otavio e Os gêmeos. Já os gringos estão inclusos Tim Burton, Muxxi, Aitch, Mariana a miserável, Catarina Sobral e muitos outros.

No mercado atual e nacional existem grandes dificuldades e não é de hoje que os ilustradores passam por isto. Para ela – “A maior dificuldade é o ato de ser ilustrador em si, só as pessoas mais insistentes continuam na área. O que eu percebo é que as pessoas estão o tempo todo consumindo ilustração, tem desenho na estampa da roupa, na embalagem do suco, no livro, na propaganda da tv, no outdoor, no filme, etc. Olhe ao seu redor, tudo tem ilustração, mas quando você observa o mercado, parece que essa demanda não existe, é muito raro você ver alguma empresa contratando um ilustrador ou oferecendo uma parceria ou um freela, por exemplo. Outra coisa que eu encontro bastante dificuldade é o de exercer meu direito autoral, algo que inúmeros ilustradores desconhecem a existência. Sempre que me procuram pra criar algum projeto de cunho comercial e que vai gerar tanto um valor percebido quanto um valor financeiro para aquela pessoa ou empresa, eu coloco no orçamento itens como tempo e locais de uso do desenho ou até pagamento de royalties sobre vendas. Isso causa muito estranhamento nos clientes, que às vezes acham injusto pois não sabem que isso é uma lei e não uma exigência minha.”

Além dos freelas de ilustrações e projetos de design gráfico, a Natália também faz alguns produtos bem maneiros com os desenhos dela e disponibilizam eles na sua lojinha virtual, dá uma conferida lá clicando aqui. E para conhecer um pouco mais do trabalho dela o portfólio dela tá aqui e o instagram aqui.

Ah! E olha que legal, ela deixou duas dicas para quem quer não só iniciar nesse mundo das ilustrações mas também para quem já está envolvido nele, segue:

1- Pratique muito, pesquise muitas referências não só de ilustração, mas filmes, música, decoração, fotografia, arte urbana, etc.

2- Saiba dos seus direitos enquanto ilustrador, estude sobre direitos autorais e saiba cobrar pelo seu trabalho!

 

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